Como um dialeto XML, o SVG tem namespace. É importante entender o conceito de namespaces e como eles são usados se você planeja criar seu próprio conteúdo em SVG. Versões de visualizadores SVG prévias ao lançamento do Firefox 1.5 infelizmente deu pouca atenção aos namespaces mas eles são essenciais para dialetos multi-XML suportando agentes de usuários como navegadores baseados em Gecko que devem ser muito rigorosos. Tome um tempo para entender namespaces agora e irá te privar de muita dor de cabeça no futuro.

Experiência

Tem sido uma longa meta do W3C para fazer possível para diferentes tipos de conteúdo baseado em XML ser misturado no mesmo arquivo XML. Por exemplo, SVG e MathML podem ser incorporados diretamente em um documento cientificamente baseado em XHTML. Ser apto de misturar tipos de conteúdo como este tem muitas vantagens, mas também requeriu problemas reais para serem resolvidos.

Naturalmente, cada dialeto XML define o significado de um nome de tag de marcação descrito em sua especificação. O problema em misturar conteúdo de diferentes dialetos XML em um único documento XML é que as tags definidas por um dialeto podem ter o mesmo nome que as tags definidas por outro. Por exemplo, ambos XHTML e SVG tem uma tag <title>. Como o software deveria distinguir entre os dois? Na verdade, como o software conta quando o conteúdo XML é algo que ele conhece sobre, e não somente um arquivo XML sem significado contendo nomes de tags arbitrárias desconhecidas para ele?

Contrário à opinição popular, a resposta para esta pergunta não é "ele pode dizer pela declaração DOCTYPE". DTD's não foram feitos com conteúdo misto levado em consideração, e tentativas passadas de criar DTD's de conteúdo misto são hoje consideradas de terem falhado. O XML, e alguns dialetos XML (incluindo SVG), não requerem uma declaração DOCTYPE, e SVG 1.2 nem terá um. O fato que declarações DOCTYPE (usualmente) combinam o conteúdo em arquivos de tipo de conteúdo únicos é uma mera coincidência. Os DTDs são somente para validação, não para identificação de conteúdo. Softwared que enganam e identificam conteúdo XML usando sua declaração DOCTYPE causam dano.

A resposta real para a pergunta é que um conteúdo XML conta para o software qual dialeto os nomes de tag pertencem ao dar "declarações de namespaces" para as tags. 

Declarando namespaces

O que estas declarações de namespace parecem, e onde elas vão? Aqui vai um exemplo curto.

<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg">
  <!-- mais tags aqui -->
</svg>

A declaração de namespace é fornecida por um atributo xmlns. Este atributo diz que a tag <svg> e suas tags filhas pertencem a qualquer dialeto XML que tem o nome de namespace 'http://www.w3.org/2000/svg' que é, com certeza, SVG. Note a declaração de namespace somente precisa ser ser fornecida de uma vez em uma tag raiz. A declaração define o namespace padrão, então o software sabe que todas as tags descendentes de tags <svg> também pertencem ao mesmo namespace. Softwares conferem para ver se eles reconhecem o nome de namespace para determinar se eles sabem como lidar com a marcação. 

Note que nomes de namespace são somente strings, então o fato que o nome de namespace SVG também parece com um URI não é importante. URI's são comumente usadas porque eles são únicos, a intenção não é para "linkar" em algum lugar. (Na verdade URI's são usadas tão frequentemente que o termo "URI de namespace" é comumente usado ao invés de "nome de namespace".)

Redeclarando o namespace padrão

Se todos os descendentes da tag raiz também são definidos para estarem presentes no namespace padrão, como você mistura conteúdo de outro namespace? Fácil. Você apenas redefine o namespace padrão. Aqui vai um exemplo simples.

<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">
  <body>
    <!-- algumas tags XHTML aqui -->
    <svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="300px" height="200px">
      <!-- algumas tags SVG aqui -->
    </svg>
    <!-- algumas tags XHTML aqui -->
  </body>
</html>

Neste exemplo o atributo xmlns na tag raíz <html> declara o namespace padrão para ser XHTML. Como um resultado, ela e todas as tags filhas são interpretadas pelo software como pertencente ao XHTML, exceto para a tag <svg>. A tag <svg> tem seu próprio atributo xmlns, e ao redeclarar o namespace padrão, isto conta para o software que a tag <svg> e suas descendentes (a menos que elas também redeclarem o namespace padrão) pertencem ao SVG.

Viu? Namespaces não são tão difíceis.

Declarando prefixos de namespaces

Dialetos XML não somente definem suas próprias tags, mas também seus próprios atributos. Por padrão, atributos não tem um namespace, e são conhecidos somente por ser únicos porque aparecem em um elemento que por si só tem um nome único. No entanto, algumas vezes é necessário definir atributos para que eles possam ser reusados em diferentes elementos e ainda sim serem considerados como sendo do mesmo atributo, independente do elemento com o qual eles são usados. Um exemplo muito bom disto é o atributo href definido pela especificação XLink. Este atributo é usado comumente por outros dialetos XML como um meio de conectar a recursos externos. Mas como você conta para o software qual dialeto o atributo pertence, neste caso XLink? Considere o exemplo seguinte.

<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"
     xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
  <script xlink:href="o-script-mais-legal.js" type="text/ecmascript"/>
</svg>

Este exemplo tem o atributo de aparência bastante incomum xmlns:xlink. Como você pode ter adivinhado da primeira parte 'xmlns', esta é outra declaração de namespace. Contudo, ao invés de definir o namespace padrão, esta declaração de namespace define o namespace para alguma coisa chamada como "prefixo namespace". Neste caso, nós escolhemos usar o prefixo xlink (a segunda parte) uma vez que o prefixo será usado para contar ao software sobre os atributos que pertencem ao XLink.

Como seus nomes sugerem, prefixos de namespace são usados para prefixar nomes de atributos e nomes de tags. Isto é feito colocando o prefixo de namespace e dois pontos antes do nomes de atributo como mostrado na tag <script> no exemplo acima. Isto conta para o software que aquele atributo particular pertence ao namespace atribuído ao prefixo de namespace (XLink), e é um atribuído que pode ser usado com o mesmo significado em outras tags.

Note que é um erro de XML usar um prefixo que não foi ligado au um nome de namespace. A ligação criada pelo atributo xmlns:xlink no exemplo acima é absolutamente essencial se o atributo xlink:href não é para para causar um erro. Este atributo XLink é também frequentemente usado no SVG nas tags <a>, <use> e <image>, dentre outros, então é uma boa idéia sempre incluir a declaração XLink em seus documentos.

Aparte, é útil saber que prefixos podem também ser usados para names de tags. Isto conta para o software que aquela tag em particular (não a tag filha) pertence ao namespace ligado ao prefixo. Saber disso irá te poupar de confusão se você se deparar com uma marcação como a do exemplo seguinte:

<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" 
      xmlns:svg="http://www.w3.org/2000/svg">
  <body>
    <h1>SVG incorporado inline no XHTML</h1>
    <svg:svg width="300px" height="200px">
      <svg:circle cx="150" cy="100" r="50" fill="#ff0000"/>
    </svg:svg>
  </body>
</html>

Note que pelo prefixo de namespace ser usado para a tag <svg:svg> e seu filho <svg:circle>, não foi necessário redeclarar o namespace padrão. Em geral, é melhor redeclarar o namespace padrão ao invés de prefixar muitas tags desta forma. 

Scripting em XML com namespaces

Namespaces não afetam somente a marcação, mas também o scripting. Se você escreve scripts para XML com namespace, como SVG, continue lendo.

A recomendação DOM Level 1 foi criado antes da recomendação original Namespaces in XML ser lançada; assim sendo, DOM1 não está ciente de namespaces. Isto causa problemas para XML com namespaces, como SVG. Para resolver estes problemas, a recomendação DOM Level 2 Core adicionou equivalentes cientes do namespace de todos os métodos aplicáveis do DOM Nível 1. Quando estiver scripting em SVG, é importante usar os métodos cientes de namespace. A tabela abaixo lista os métodos DOM1 que não devem ser usados em SVG, junto com seus equivalentes em DOM2 que devem ser usados ao invés.

DOM1 (não use) DOM2 (use estes!)
createAttribute createAttributeNS
createElement createElementNS
getAttributeNode getAttributeNodeNS
getAttribute getAttributeNS
getElementsByTagName getElementsByTagNameNS (também added to Element)
getNamedItem getNamedItemNS
hasAttribute hasAttributeNS
removeAttribute removeAttributeNS
removeNamedItem removeNamedItemNS
setAttribute setAttributeNS
setAttributeNode setAttributeNodeNS
setNamedItem setNamedItemNS

O primeiro argumento para todos os métodos cientes de namespace em DOM2 devem ser nomes de namespace (também conhecidos como namespace URI) do elemento ou atributo em questão. Para elementos SVG isto é 'http://www.w3.org/2000/svg'. Contudo, note cuidadosamente: as recomendações Namespaces in XML 1.1 declara que o nome de namespace para atributos sem um prefixo não tem um valor. Em outras palavras, states that the namespace name for attributes without a prefix does not have a value. In other words, embora os atributos pertencem ao namespace da tag, você não usa o nome de namespace da tag. Em vez disso, você deve usar nulo como nome de namespace para atributos não qualificados(sem prefixos). Então, para criar um elemento SVG rect usando document.createElementNS(), você deve escrever:

document.createElementNS('http://www.w3.org/2000/svg', 'rect');

Mas para recuperar o valor de atributo x em um elemento SVG rect, você deve escrever:

rect.getAttributeNS(null, 'x');

Note que isto não é o caso para atributos com um prefixo de namespace (atributos que não pertencem ao mesmo dialeto XML como a tag). Atributos como o xlink:href requerem o nome de namespace que foi designado para aquele prefixo (http://www.w3.org/1999/xlink para XLink). Consequentemente para pegar o valor do atributo xlink:href de um elemento <a> em SVG você deveria escrever:

elt.getAttributeNS('http://www.w3.org/1999/xlink', 'href');

Para definir atributos que tem um namespace, é recomendado (mas não requerido) que você também inclua seus prefixos no segundo argumento para que o DOM possa, depois, ser facilmente convertido depois para XML (se, por exemplo você quer enviá-los de volta para o servidor). Por exemplo: 

elt.setAttributeNS('http://www.w3.org/1999/xlink', 'xlink:href', 'otherdoc.svg');

Como um exemplo final, aqui está a demonstração de como você deveria criar um elemento <image> dinamicamente usando script: 

var SVG_NS = 'http://www.w3.org/2000/svg';
var XLink_NS = 'http://www.w3.org/1999/xlink';
var image = document.createElementNS(SVG_NS, 'image');
image.setAttributeNS(null, 'width', '100');
image.setAttributeNS(null, 'height', '100');
image.setAttributeNS(XLink_NS, 'xlink:href', 'flower.png');

Conclusão

Tenha certeza que você sempre declara os namespaces que você usa em seus arquivos XML. Se você não usar, softwares como Firefox não reconhecerão seus conteúdos e irão simplesmente mostrar a marcação XML ou informar o usuário que há um erro no XML. É uma boa idéia usar um template que inclui todas as declarações de namespace comumente usadas ao criar novos arquivos SVG. Se você não tem um ainda, faça um começando com o seguinte código: 

<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"
     xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
</svg>

Mesmo que você não use todos aqueles namespaces em um documento, não há dano ao incluir declarações de namespace. Isto pode te privar de alguns erros irritantes se você acabar adicionando conteúdo de um dos namespaces não usados em datas posteriores. 

Um exemplo completo

Para um exemplo completo, veja SVG: Namespaces Crash Course: Example.

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